F1

#F1: Ferrari é Ferrari. Mas qual Ferrari é essa?

18/07/2020

#F1: Ferrari é Ferrari. Mas qual Ferrari é essa?

Após dois finais de semana* bem ruins da equipe Ferrari no Mundial 2020 de #F1, na rodada dupla da Áustria, ficou claro que as chances do time de Maranello melhorar sua performance (a um nível parecido ao da Mercedes ou Red Bull) ainda nesse ano são remotíssimas.

Os contras são significativos: 1º) o tempo curto deste campeonato; e 2º) a soma de dinheiro considerável para esse desenvolvimento. Dar o ano como perdido publicamente não é opção, claro, mas nas conversas privadas certamente parece o mais correto.

Mudar o foco para 2021 e assim tentar não acumular mais um ano de jejum de títulos é uma alternativa interessante. Lá se vão 13 anos sem o Mundial de pilotos e 12 anos sem conquistas entre os construtores. A escuderia chegou a ficar 21 anos sem conseguir fazer um campeão mundial (1979 a 2000) e 16 temporadas sem o Mundial de equipes (1983 a 1999).

O carro 2020 é ruim em relação aos times de primeira linha e não se equipara ainda aos modelos de McLaren, Racing Point e Renault. A falta de velocidade na reta é explícita como um filme da Mia Kalifa. Esse meio de pelotão, que gerará brigas com as três últimas citadas, deve/pode ser revolvido nas próximas provas. A ver.

Em 2021

Na próxima temporada, Ferrari contará com Carlos Sainz e Charles LeClerc como pilotos titulares. Será que esses dois Carlos têm a tarimba necessária para transformar um projeto em carro vencedor? Indo mais longe: será que o staff da escuderia (chefes/engenheiros/mecânicos) tem a cancha? É muito provável que sim. Porém, essas questões ficam no ar.

Sainz, que chega somente no ano que vem, tem recebido questionamentos sobre sua decisão de sair da McLaren (que a rigor ressurgiu na F1) para desembarcar em Maranello. Ele se diz tranquilo e que a equipe rubra não desaprendeu a fazer carros vencedores e que o fará em 2021. De fato, as probabilidades estão a favor do espanhol.

Todavia, o carro ganhador deveria ter saído esse ano. Também. Só que…

A escolha de Sainz, notem, também leva em conta todo o prestígio que é ser piloto da Ferrari. Não é uma questão pura e simples de análise de desempenho e perspectivas. A decisão envolve ponderações subjetivas e pessoais como os sonhos mais pueris do piloto quando ele começou a se interessar pelo automobilismo.

Quer dizer, assumimos que ele sonhou em correr pela Ferrari. Pode não ter sonhado…. Bom, o Ayrton Senna sonhou… então entendo que todos sonham… são as definições subjetivas.

Rogério Elias, jornalista, fundador ao Amigos da Velocidade ao lado de Téo José, comentarista de Esportes a Motor, professor de jornalismo e palestrante. @RogerioElias.

*Análise do desempenho puro do carro em todos os treinos e não em resultados circunstanciais nas corridas.

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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