F1

A Red Bull precisa de um “novo Mark Webber”

15/07/2020

A Red Bull precisa de um “novo Mark Webber”

Por Sandro Varela

Desde quando Daniel Ricciardo saiu da Red Bull no final de 2018, o time austríaco teve como pilotos Pierre Gasly e Alex Albon. Os dois reconhecidamente têm talento, mas não conseguiram andar tão próximos de Max Verstappen, que é o primeiro piloto do time das bebidas energéticas. 

Observando a tabela do ano passado, Gasly teve, até sua saída da Red Bull, 63 pontos e era muito contestado até sua troca por Alex Albon – e consequente mudança para Toro Rosso -, sendo que este quando foi promovido para a Red Bull tinha apenas 16. Obviamente a troca teve como pano de fundo um alegado fraco desempenho do francês, mas enquanto o tailandês pontua, nem ele e nem o gaulês conseguem o que é mais importante para a Red Bull: andar o mais próximo de Verstappen e somar pontos para o time. 

Claro que a intenção dos taurinos é desenvolver pilotos, mas um time que já foi campeão mundial não pode se contentar em apostar em um piloto e não somar pontos entre os construtores. Coloco esta questão, pois se a equipe ambiciona resultados melhores, não pode apenas esperar que Max consiga resultados e veja seu segundo piloto ter um papel discreto. 

Ter dois pilotos fortes seja em termos desempenho e competitividade, é algo que já aconteceu na história da escuderia. Já vimos Sebastian Vettel e Mark Webber, depois vimos o alemão formar parceria com Daniel Ricciardo. O australiano também formou dupla com o holandês e em todas estas ocasiões vimos uma briga intensa entre eles e também a Red Bull bem colocada entre os construtores. 

Uma equipe que já foi campeã do mundo, embora tenha um forte programa de desenvolvimento de pilotos, não pode se dar ao luxo de ter apenas um piloto forte e outro que brigue no meio do pelotão apenas. O que falta à Red Bull neste momento é o que ela já teve, um Mark Webber, que neste momento seria… Sebastian Vettel. 

Sei que parece um tanto absurdo isso, ver um tetracampeão mundial se prestar a esse papel neste momento da carreira, mas quem está livre no mercado e que, com um bom carro nas mãos é capaz de entregar resultados imediatamente? O alemão vem de um divorcio traumático em Maranello. Já sabe que não pilotará um carro vermelho em 2021, mas ao mesmo tempo tem portas abertas em Milton Keynes – apesar de ter ouvido algumas negativas de Christian Horner e Helmult Marko. Porém, quem assina o cheque e já declarou que quer ver o alemão no seu time, é Dietrich Mateschitz. O austríaco não é do tipo que rasgue nota de 100 e sabe que uma dupla com Verstappen e Vettel é capaz de fazer frente a Hamilton e Bottas e faria um barulho e tanto na F1. 

Vettel reencontraria um ambiente no qual foi feliz e ainda por cima seria capaz de provocar desempenhos melhores em Verstappen e poderia muito bem aproveitar eventuais falhas para pódios e vitórias. Fora que seria interessante demais para a categoria manter campeões mundiais em atividade. Hamilton está rumando para a sétima taça de campeão. Alonso está voltando e Sebastian pode sim ser o terceiro veterano na briga contra jovens que estão chegando com sede de conquista, como Charles Leclerc, Lando Norris e George Russel. 

Por essas e outras, o não de hoje pode ser o talvez ou sim de amanhã.  

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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