F1

A #F1 de joelhos contra o racismo?

30/06/2020

A #F1 de joelhos contra o racismo?

Já podemos dizer que a Fórmula 1 está de volta. Estamos em fase pré GP, no caso o da Áustria – que acontece neste fim de semana. Os treinos, porém, no traçado do Red Bull Ring (Spielberg), começam na próxima sexta-feira. Passaram-se, na prática, quase oito meses desde a última corrida oficial da temporada de 2019. Então, a ansiedade se destaca nessa retomada.

Muita coisa aconteceu nesse período. Deixando a pandemia de lado, a questão do racismo foi amplamente discutida nos bastidores da categoria-mor. O assunto foi amplificado no paddock pelo hexacampeão Lewis Hamilton a partir do assassinato do negro George Floyd, nos Estados Unidos, por um policial branco.

Aliás, a tag #BlackLivesMatters (#VidasNegrasImportam) tomou conta do planeta principalmente através de inúmeros protestos de rua. As manifestações contra a discriminação racial continuam, com menos intensidade mas com a mesma significância do início. E um ato importante pode acontecer no grid da F1 lá na Áustria.

Sim. Os pilotos discutem a possibilidade de se ajoelharem antes do início da prova em apoio ao movimento #BlackLivesMatters. Todavia, essa conversa pode gerar cizânia no grid e, ao que parece, essa ação acontecerá apenas se houver concordância de todos os competidores. É lamentável pensar na possibilidade de desacordo sobre o tema. Mas é justamente por isso que esse tipo de protestação existe.

A Fórmula 1 é um esporte dominado por brancos. Notem que o grid atual, com 20 pilotos, tem somente um negro (Hamilton), um asiático (Alex Albon*) que pelos critérios de racismo utilizados há anos também é alvo de segregação e um latino/mexicano (Sérgio Perez) – que pode ser incluído nos parâmetros dos asiáticos em geral.

A categoria é dominada por brancos desde seus primórdios, lá nos anos 1950. E além. Quanto mais nos aproximamos da invenção/criação/disseminação dos automóveis e corridas de carros, início do século 20 e antes, mais branco era o esporte. Se assim podemos dizer.

Essa possível manifestação dos pilotos será, certamente, a melhor razão para assistir o GP da Áustria.

A ver.

Rogério Elias, jornalista, fundador ao Amigos da Velocidade ao lado de Téo José, comentarista de Esportes a Motor, professor de jornalismo e palestrante. @RogerioElias.

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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