Automobilismo F1 IndyCar

A vez em que Michael Andretti assinou com a Ferrari

18/06/2020

A vez em que Michael Andretti assinou com a Ferrari

O ano era 1991. Michael Andretti, filho de Mario, este um dos grandes do automobilismo em todos os tempos, tinha em mãos um contrato assinado para competir na Fórmula 1. Mas, calma. Não era nenhum acordo com a McLaren. Nada disso. O piloto tinha acertado com a icônica escuderia Ferrari. No papel, a partir de 1992, Andretti ficaria em Maranello por dois anos com a opção de um terceiro.

O piloto ítalo-americano ficou exultante com a possibilidade de correr na equipe italiana. Mesmo porque seu pai (mais uma vez: o quase inigualável Mario) havia feito boas corridas para o comendador Enzo Ferrari. E seria a chance, aos 29 anos, de aprender muito em outra série do automobilismo.

Detalhe

É verdade que Michael já havia havia assinado com a equipe Newman/Haas, da CART, que atualmente é a Fórmula Indy, para disputar a temporada de 92 completa. Porém, uma cláusula no contrato firmado falava especificamente do fator F1. Ou seja, em caso de convite da categoria, Carl Haas, o chefão, “estaria obrigado” a liberar Andretti. Isso não aconteceu. Apesar de toda as conversas e discussões, Haas não arredou o pé.

Michael foi campeão em 1991 da CART e passou toda a temporada de 1992 imaginando o que poderia ter sido a Ferrari para ele.

Conjecturas

Em princípio, o norte-americano poderia ter encontrado Alain Prost como seu companheiro em Maranello. Mas o francês tinha sido sumariamente demitido da equipe italiana por comentários depreciativos sobre o carro de 1991. Prost tirou um ano sabático e voltou à F1 em 1993, quando conquistou seu quarto título mundial com a Williams.

A Ferrari disputou o Mundial de 1992 com Jean Alesi e Ivan Capelli como titulares. O modelo daquele ano, o F92A, estava longe de ser o chamado “state-of-art” da categoria. O carro era ruim mesmo. Em conjunto, Alesi e Capelli amargaram 20 abandonos. Jean ainda salvou dois pódios no ano. Já Ivan Capelli, teoricamente o substituto de Andretti, marcou só 3 pontos.

Woking

Michael ficou muito chateado com Carl Haas. Todavia, isso foi logo superado. Em 1992, ele cumpriu seu contrato com a Newman/Haas, ganhou cinco corridas, somou ainda mais dois pódios e foi vice-campeão a quatro pontos apenas do líder. Detalhe: ele ganhou mais provas que o campeão Bobby Rahal.

Em 1993, Andretti assinou com a equipe McLaren na F1. Foi companheiro do gigantesco Ayrton Senna. Mas o carro da escuderia britânica não facilitou para o americano, que demorou muito a se adaptar. E, também, o modelo MP4/8 estava longe de ser bom. Michael enfrentou sete abandonos e marcou 7 pontos.

Acabou sendo demitido, ironicamente, após o GP da Itália, onde havia conquistado o terceiro lugar. Sua saída deu espaço para o finlandês Mika Häkkinen, então piloto de testes, que viria a ser bicampeão mundial, com a própria McLaren, em 1998/1999.

Rogério Elias, jornalista, fundador ao Amigos da Velocidade ao lado de Téo José, comentarista de Esportes a Motor, professor de jornalismo e palestrante. @RogerioElias.

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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