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#F1: ecos do dinheiro… ou da falta dele

26/05/2020

#F1: ecos do dinheiro… ou da falta dele

Começam a circular com mais intensidade no paddock da F1 rumores de equipes à beira da falência e outras à beira de uma operação de venda. Sendo mais direto, as escuderias Renault e Mercedes podem não mais fazer parte do grid da categoria máxima ao final da temporada de 2021. Talvez (certamente, diriam alguns), por conta do efeitos trágicos na economia global com a pandemia de Covid-19 nos próximos anos.

Neste momento, o caso mais delicado é o da Renault. Sua permanência no campeonato mundial está bastante ameaçada. A montadora francesa estima que precisa fazer cortes, em âmbito planetário, na monta de 2,2 bilhões de euros em custos. O automobilismo sempre é mal visto nos departamentos financeiros mundo afora. Portanto, quase certo que entrará nesse corte.

O ideal seria a venda da operação. De acordo com Giancarlo Minardi, ex-dono de equipe na Fórmula 1, seria muito difícil a Renault encontrar um comprador e o time francês estaria mais próximo de quebrar.

Ou não. Outros boatos sugerem que o bilionário russo Dmitry Mazepin – cuja a indústria petroquímica é o principal negócio – estuda comprar a Renault. Nos mesmos moldes que o bilionário canadense Lawrence Stroll comprou a antiga Force India. Exatamente nos mesmos moldes.

Sim. Sim. Assim como Stroll comprou a equipe de Vijay Mallia para seu filho ter um assento garantido na F1, Dmitry pretende fazer o mesmo. Ou seja, seu interesse é ver seu filho Nikita Mazepin (hoje piloto da F2) desembarcando na principal categoria do automobilismo. E sem desgastes.

Mas nada de concreto existe ainda. Só conversas de que a Renault pode vender e Mazepin pode comprar. Sem tratativas oficiais. Não há preço ainda. Não há oferta. Apenas relatos de intenções. E estas, as intenções, nem sempre chegam ao papel. A equipe segue na mesma.

A gigante

Minardi também acredita que a Mercedes, no caso aqui a gigante multinacional, tenha a firme intenção de vender sua equipe de F1 ao final de 2021. A ideia seria continuar apenas como fornecedora de motores. “Estão prontos para vender”, falou Giancarlo ao jornal Gazzetta dello Sport. O pronto aqui têm vários sentidos e todos valem. Pronto porque já fizeram tudo que precisavam na F1. Pronto porque pode ser vendida a qualquer momento. E pronto porque está com finanças, marketing, equipamentos tudo em dia.

E já existe interessado na compra. Adivinhem? Lawrence Stroll também estaria pronto para fazer uma proposta oficial e ainda fazer uns arranjos a serem explicados com mais detalhes com a Aston Martin – montadora da qual pretende comprar uma parte também. O filhinho não vai ficar a pé na F1 não. E mais: pode sonhar mais e maior. Espero que não chegue o dia onde a taça mundial comece a ser diretamente precificada.

Outra ressonância

Com a montadora Renault em alto risco, diante do corte monumental que a montadora francesa fará em seus custos, fica claro porque o australiano Daniel Ricciardo decidiu, sem muita conversa e demora, aceitar a proposta da McLaren para ganhar menos da metade do que ganhava no time francês.

Ricciardo recebia anualmente 25 milhões de euros na Renault. Ele correrá em 2021, na McLaren, por 10 milhões. Melhor um lugar no grid do que grid algum.

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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