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Um estilo de vida difícil de alcançar #Covid19

25/05/2020

Um estilo de vida difícil de alcançar #Covid19

Basta uma sinapse, ou duas, e qualquer ser humano entenderá que o automobilismo é o esporte que mais polui no planeta. Emissão de gases, uso de combustível fóssil, gasto de borracha, poluição sonora. Isso para citar exemplos diretamente ligados à competição. Ainda existe todo o em torno a um evento, mas nesse caso os outros esportes também estão na mesma.

Gosto de pensar que, involuntariamente, a F1 e todas as demais categorias se transformaram em bandeiras para justificar a degradação do meio-ambiente. Muito sutilmente, evidentemente. Uma mensagem subliminar para a ideia: quanto mais tecnologia melhor para o mundo. Porém, essa “evolução” necessita de recursos naturais. E sabemos que esses são findáveis.

Vírus

A crise sanitária que enfrentamos em 2020, por causa do Coronavírus, expôs exatamente aquilo que os cientistas e os ativistas do meio-ambiente vêm falando há anos. Ou seja, precisamos reestruturar nossas bases econômicas para dar uma chance ao planeta. Hoje, podemos afirmar, as atividades humanas e agroindustriais estão descontroladas.

Note-se que as medidas para enfrentar a Covid-19, em especial a quarentena, reduziram a poluição do ar nas grandes cidades. Também, reduziram a poluição sonora. Em alguns lugares, aninais até se arriscam em lugares públicos e o canto das aves está mais nítido. Céu mais azul, águas mais limpas. E vida mais calma.

Mas tudo isso é temporário. E diante do que o planeta precisa, quase insignificante. Em outras palavras, a Covid-19 não consertará o clima. Não vai equilibrar as mudanças climáticas que a Terra enfrentava antes da pandemia. Nada disso.

Em verdade, é exatamente ao contrário. A crise sanitária nos ofereceu um pequeno vislumbre das profundas mudanças necessárias em nosso estilo de vida e na estrutura econômica para conseguirmos enfrentar a crise ambiental e o pior desta.

Hercúleo

Em curto prazo, de acordo com um estudo da Nature Climate Change, as emissões globais de CO² diminuíram 17% em abril de 2020 quando se compara com o mesmo mês de 2019. Os benefícios a curto prazo são límpidos como a água de degelo e muito bem-vindos.

Os cientistas apontam, por outro lado, que essas mudanças causadas pela Covid não vão durar. Aliás, outro estudo da Nature Climate Change sugere que se as restrições atuais de quarentena perdurassem por todo o ano de 2020, as emissões de CO² seriam reduzidas na casa de 7,5%.

Ora, esses 7,5% (um pouco mais: 7,6%) é o que prevê o Acordo do Clima de Paris. E durante dez anos. Entre 2020 e 2030. Veja, precisaríamos ajustar nosso estilo de vida (o qual determina a atividade econômica) para algo parecido com os dias atuais pela próxima década.

Uma tarefa monumental a julgar pelas dificuldades que o mundo enfrentou nesta quarentena. Algo a se pensar com muito cuidado e atenção.

O automobilismo é, obviamente, uma atividade social que também precisa ser revista diante desse quadro. As corridas elétricas, sobretudo da Fórmula E, começam a ser uma nova bandeira no sentido de uma “evolução” – mas agora sustentável com o meio-ambiente. Efetivamente sustentável. Mas, o caminho é longo já que mesmo assim segue sendo um esporte super poluente.

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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