Automobilismo Copa Truck

#CopaTruck: com a cara para o vento

29/08/2018

#CopaTruck: com a cara para o vento

Foi um grande final de semana. Retornei a Goiânia, uma cidade que adoro, me apresentada por Téo José há muitos anos. Fiz uma imersão no autódromo internacional Ayrton Senna – um dos melhores do Brasil – agora reformado. Aliás, queria avisar a organização da MotoGP que seria sensacional vocês voltarem ao país e justamente lá, onde já correram. A pista está pronta e a cidade abraçaria o evento de um jeito que vocês não têm ideia… fica a dica.  Voltando ao fim de semana: cheiro de pneu, diesel, gasolina, fumaça e competição com a Copa Truck.

Confesso que minha referência em corridas de caminhão são os eventos organizados pelo saudoso Aurélio Batista Félix, um dos criadores da antiga Fórmula Truck. Não poderia ser diferente e isso é muito bom. Lembro-me de uma etapa, lá pelos idos de 2004 ou 2005, no autódromo de Curitiba, no Paraná, onde simplesmente eu não conseguia me mexer durante a visitação dos boxes. Uma lotação de gente. Me senti no Metrô de São Paulo, no horário de pico. Isso sem falar das milhares de pessoas nas arquibancadas. Foi uma coisa inexplicável.

Sim. Com isso na cabeça, desci do Uber, na sexta-feira de treinos, no autódromo. E já na movimentação dos envolvidos no evento percebi que viria coisa boa. Gostei da atmosfera. Vi um empenho e uma preocupação com o evento. E isso não apenas dos colaboradores ligados diretamente à montagem de estrutura. Mas, também, dos pilotos. E, nesse nível, o sintoma é de coisa boa… como já falei.

Chega de comparar

A Copa Truck é algo novo no cenário brasileiro de esportes a motor. É importante deixar isso claro. A inspiração é óbvia. Todavia, os métodos são diferentes. Notem, não disse que são melhores e nem piores. Disse, diferentes. Conversei com alguns profissionais no fim de semana. Um bate-papo. Nada de entrevistas com gravador (hoje celular, né?), bloco e caneta ou pedidos oficiais para assessorias de imprensa. Apenas uma (várias) caminhada pelos boxes e conversas informais – as vezes mais recheadas de risadas e lembranças do que conteúdo.

Não importa. O bom jornalista (e não digo que o sou) sabe ler essas caminhadas, essas entrelinhas e essas risadas.

Avante!

A Copa Truck vai decolar. Ou melhor, decolou. Está agora subindo para o chamado ‘teto de cruzeiro’. Isso ficou claro em todos os papos e, sobretudo, na satisfação na cara dos pilotos com essa nova fase. Eles estão felizes. Bem felizes. E aqui, lamentavelmente, cabe uma crítica aos últimos anos dos administradores da antiga Fórmula Truck que ‘meteram o pé pelas mãos’ e conseguiram espalhar uma insatisfação geral. Hoje, sob a batuta de Carlos Col, que durante anos promoveu a Stock Car, o quadro foi totalmente revertido. Claro, existem melhorias a serem feitas. Mas, o esboço, de acordo com quem conversei, é muito bom.

Raiz

O domingo de corrida em Goiânia foi muito legal. O autódromo lotado. A Copa Truck não montou arquibancadas móveis e os torcedores ficaram espalhados pelo gramado ao redor da pista, sobretudo na reta principal. Por outro lado, guarda-sóis foram espalhados pela organização e as famílias foram tomando seus lugares. Aquele automobilismo-raiz onde só quem realmente gosta, vai. E, olha, foram mais de 36 mil pessoas. Um recorde na nova categoria.

Particularmente, acredito que a Copa Truck terá vida muito longa. E torço por isso. Uma das maneiras de manter o automobilismo em alta no Brasil é  ter corridas em todas as praças possíveis. No caso dos caminhões, a linguagem e a imagem aproximam mais o público da pista. É a tal popularidade. Mas essa forma de comunicação não é exclusividade da Truck. Longe disso, essa popularidade pode ser alcançada por qualquer categoria. Incluindo a F1. Fica a dica ai… de novo.

Por Rogério Elias (@RogerioElias)

 

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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