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Macacos pilotando um F1 e Koko abrindo a mente de milhões no planeta

26/06/2018

Macacos pilotando um F1 e Koko abrindo a mente de milhões no planeta

Em certa feita, lá no início dos anos 2000, Niki Lauda, então chefão da equipe Jaguar na Fórmula 1, disse em alto e bom tom que qualquer macaco poderia pilotar um carro da categoria. Lauda criticava, então, o excesso de eletrônica/tecnologia dos bólidos – em comparação com sua época de pilotagem. Lauda não é qualquer um, vocês sabem. Ele correu por equipes históricas como March, BRM,Ferrari, Brabham e McLaren. Foi tricampeão do mundo. E na tragédia de 1976, em Nürburgring, quando bateu forte, se viu em meio as chamas, foi para o hospital em coma, recebeu a extrema-unção, mostrou uma força e determinação de poucos no esporte.

1000 palavras

Na semana passada, a gorila Koko faleceu, aos 46 anos de idade, na Califórnia, nos Estados Unidos. Ela conhecia mais de mil palavras na linguagem de sinais (LIBRAS) que aprendeu com a doutora Francine Patterson. A gorila  ficou famosa pela sua participação num projeto da universidade de Stanford em 1974.

“A Koko tocou a vida de milhões de pessoas como uma embaixadora de todos os gorilas e como um ícone da empatia e da comunicação entre espécies”, anotou um comunicado oficial da Gorilla Foundation. “Era muito amada e fará muita falta”, seguiram as linhas do documento à imprensa.

Acreditava-se que o QI (Quociente Intelectual) de Koko estivesse entre 75 e 95 pontos. Mais, ela entenderia cerca de 2000 palavras em inglês. Note-se que o QI médio do ser humano está na casa de 100 pontos. Contudo, a maioria das pessoas anota entre 85 e 115 pontos.

A fundação anunciou que vai honrar o legado de Koko e manter a sua missão através dos seus projetos, que incluem esforços de conservação em África e uma aplicação de linguagem de sinais, cujos benefícios pretende ser revertidos para as crianças e gorilas.

Por falar em legado, Koko sem conseguir proferir uma palavra através de suas cordas vocais, apenas com seus gestos e suas atitudes, fez mais que muitos seres humanos nesse planeta. Mostrou que o mundo, apesar de sua imensa diversidade, é um lugar onde a convivência, o respeito e (por que não?) o amor são muito possíveis.

Niki

Voltando ao Niki Lauda e sua teoria de ‘pilotos macacos’, ele decidiu provar que os recursos tecnológicos, principalmente o controle de tração nos carros da F1, tornavam os bólidos extremamente fáceis de guiar. E o que ele fez? Foi para a pista. Aos 52 anos de idade, sentou no modelo da Jaguar em 2002, entrou no circuito de Valência, na Espanha, rodou três vezes em duas voltas e acabou sendo rebocado de volta aos boxes.

E se fosse a Koko?

 

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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