F1

A vaga de 2º piloto da Ferrari em 2019. Quem? Por que?

04/06/2018

A vaga de 2º piloto da Ferrari em 2019. Quem? Por que?

Na Fórmula 1, a equipe Ferrari segue em busca de conquistar um campeonato mundial de pilotos que não acontece há mais de dez anos, afinal o último título registrado foi pelas mãos de Kimi Raikkonen no ano de 2007. Naquela oportunidade, a temporada reservou muitas emoções e a lógica apontou que os pilotos da McLaren seriam os favoritos. Mas tanto Fernando Alonso como o estreante Lewis Hamilton se envolveram em confusões e polêmicas que acabaram por ajudar o “Homem de Gelo” na tabela de pontos da categoria.

Após se passar tanto tempo, Raikkonen ainda é piloto da Scuderia após a volta dele em 2014 e justamente a vaga desse cockpit vem sendo especulada para diversos outros pilotos ao longo dos últimos anos. Vale lembrar que Kimi melhorou muito desde quando dividiu os boxes com Fernando Alonso há quatro anos. A readaptação ao time italiano não foi nada fácil e lidar com o espanhol sempre é um fator a ser considerado como um tanto complicado.

Mas o segundo piloto da Ferrari retomou o caminho da consistência e regularidade para fazer apresentações mais dignas e fechar corridas em posições no pódio, apesar de não vencer desde a Austrália 2013. Naquela altura ele ainda pilotava para a Lotus/Renault, vejam só.

Mesmo sendo essencial nos pontos conquistados no campeonato de construtores, a Ferrari evidentemente já estuda o assunto para substituir Raikkonen em um futuro próximo. E, nesse contexto, diversos nomes já foram especulados ao longo dos últimos tempos. Desde o quase improvável retorno de Fernando Alonso até jovens como o monegasco Charles LeClerc, da Sauber Alfa Romeo.

O piloto do momento a ser relacionado nas notícias para assumir o carro é Daniel Ricciardo. O australiano da Red Bull é a bola da vez neste ano, afinal já tem (muita) experiência na F1 e vem demonstrando tanto maturidade como velocidade impresseionantes, mesmo que tenha se envolvido no polêmico acidente  com Max Verstappen em Baku.

Ricciardo começou na pequena HRT na temporada de 2011 e mostrou uma evolução interessante para se firmar entre os principais nomes da categoria. Poderíamos até colocar ele apenas atrás dos  campeões em atividade. Os resultados têm demonstrado isso tanto em números como também pelos dados e estatísticas ao longo dos últimos tempos. Daniel conquistou a sétima vitória da carreira em Monte Carlo no domingo (27/5)  e atuou de forma completamente irrepreensível.

Não cometeu erros e ainda administrou uma perda de potência no carro a partir da segunda metade de corrida. Dominou todos os treinos durante o final de semana de competição no Principado. O que a imprensa mundial especula já há alguns meses é que ele já possui um pré-contrato firmado com a Ferrari para não conversar com mais nenhuma equipe até o período de definição dos acordos e que deve acontecer durante as férias de verão, em agosto.

Daniel tem todos os requisitos para ocupar a atual vaga de Raikkonen e o finlandês desta forma muito provavelmente se aposentaria da categoria. Kimi já tem, 38 anos (completa 39 em outubro). Ricciardo é veloz, seguro, consistente, confiante e dedicado. Além disso é uma excelente ferramenta de marketing para qualquer time. É um dos mais carismáticos do grid e sempre chama a atenção pelo comportamento irreverente e com pensamento positivo ao longo do paddock enquanto passa.

É realmente difícil ver ele com uma expressão fechada no rosto mas isso, claro, não é impossível. Exatamente em Mônaco, há dois anos, a Red Bull errava na estratégia e, assim, tirava uma vitória certa do piloto que ainda conseguiu chegar no pódio, porém com cara de poucos amigos.

A comemoração com o já famoso “shoey” não é uma novidade na Fórmula 1, mas ainda sim segue surpreendendo. Em Mônaco a família real ficou impressionada e teve o príncipe Albert se divertindo com o momento. No âmbito de companheiros de equipe dentro da F1 quem não deve gostar da ideia de ter Daniel Ricciardo novamente dividindo os boxes de um mesmo time é o alemão Sebastian Vettel.

Vale lembrar que mesmo após ter conquistado quatro títulos consecutivos, o atual líder da Ferrari sofreu com o australiano que deu um banho de competência durante todo o ano de 2014 na Red Bull. Interessante lembrar que era uma temporada de novo regulamento técnico e Vettel não se adaptou tão bem assim naquela altura.

Se a Ferrari confirmar Ricciardo até o final do ano teremos uma das duplas mais interessantes e até explosivas da categoria, afinal Vettel poderia ter um companheiro de time mais de acordo para lutas na frente do pelotão. E seria até mesmo uma volta a outros tempos da Ferrari, quando o próprio Raikkonen tinha Felipe Massa ao lado dele na escuderia e as condições dos dois pilotos eram mais equilibradas.

Sobre LeClerc, podemos imaginar que ainda não é a hora. Afinal, após a temporada 2018 ele terá apenas um ano como piloto titular e seguir logo para o time italiano pode até mesmo começar um processo de “fritura” ainda cedo na carreira do jovem competidor.

E ainda sobre Fernando Alonso o ambiente de Maranello já comportou o espanhol por cinco temporadas e o clima ferveu por diversas vezes. Ambos os lados em tempos recentes alegam que o “final do casamento” foi em paz, mas se tivesse sido simples ele poderia até ter continuado, quem sabe.

Alonso sempre afirma não ter se entendido com Marco Mattiaci, o diretor esportivo que comandou até por um curto período a equipe durante aquela fase de 2014. Fato é que a dança das cadeiras está mais emocionante do que nunca e os resultados da atual temporada podem até ajudar a indicar esses novos rumos das equipes para um breve futuro.

Por James Azevedo (@JamesAzevedo)

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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