F1

Da informação plena à escassez de notícias. O Brasil na F1

01/06/2018

Da informação plena à escassez de notícias. O Brasil na F1

Acompanhar a Fórmula 1 para fã brasileiro é algo complicado nos últimos tempos. Mesmo com a facilidade de internet e redes sociais, boa parte do material disponibilizado em nossa língua pela grande mídia e pelos abnegados internautas é originado de traduções, muitas das vezes literais (e na base do Google Translator), dos sites gringos como Autosport, Motorsport, Auto Und Motor Sport e outros. Quem pode, vai direto na fonte. Caso contrário, tem que esperar.

Uma parte disso se explica pela queda da popularidade da categoria no Brasil. Infelizmente, esporte bom para brasileiro é aquele em que um patrício vence. Por conta disso, a quantidade de recursos dispendidos para a cobertura passa a ser cada vez menor. Por conta da campanha impressionante de Emerson Fittipaldi no início dos 70, os jornalistas brasileiros começaram a ser mais presentes nos circuitos internacionais. E a onda foi forte nos 80, quando Nelson Piquet e Ayrton Senna eram dominantes na categoria.

Neste momento, os principais veículos de comunicação impressos tinham representantes nas pistas e mesmo aqueles, sem condições, contratavam material para publicação. Desta forma, as novidades acabavam por fluir com mais facilidade, além do grande espaço dedicado. Chegava-se ao cúmulo de acompanhar testes de pneus pela Europa, bem como até transmitir ao vivo uma corrida de F3 inglesa.

Eram tempos de publicações exclusivas como a “Grid”.

Senna Sempre

Com a morte de Ayrton Senna, o interesse nacional passa a arrefecer. Mas o espaço ainda considerável. Não era incomum um GP merecer 2 páginas no caderno esportivo em plena segunda. Em época de GP Brasil era normal haver um encarte especial, bem como extensa cobertura. Mas os custos vão pressionando e cada vez mais vai reduzindo a presença na imprensa.

Aos poucos, os principais expoentes acabavam por reduzir sua presença “in loco”. E mesmo a Globo iniciou um processo de readequação de sua cobertura. Inicialmente, terminando com a transmissão do treino classificatório de sábado (o colocando em seu canal por assinatura SporTv) e não levando mais boa parte da equipe para cobertura ao vivo (fazendo o famoso “geladão” ou offtube do estúdio), além de proceder um rodízio com os repórteres que vão aos circuitos. E, também, a transferência da transmissão ao vivo para a SporTv daqueles GPs que tem o mesmo horário que o futebol…

Hoje, fora isso, temos ainda a transmissão pela Radio Bandeirantes, que conta com Odinei Nelson baseado em Portugal e agora Juliana Cerasoli nos circuitos (ela também cobre a Fórmula 1 para o UOL). Livio Oricchio, outro que acompanha de longa data, baseia-se na França para escrever suas participações para o Globo Esporte. E ainda temos como principal baluarte o portal Grande Premio, criado pelo jornalista Flavio Gomes, que cobriu a categoria por anos, e que procura fazer algumas abordagens diferenciadas, especialmente quando do GP do Brasil.

É muito pouco.

Copo meio cheio

Mesmo com a queda, o Brasil ainda é sozinho o país com maior audiência em canal aberto. E existe um público ávido por saber notícias. Talvez a distância do centro nervoso da categoria e poucos correspondentes possam explicar um pouco este caráter simplesmente “copia-cola” da cobertura atual.

Embora se tenha cada vez abertura de vídeos e postagens de pilotos e equipes nas redes sociais (a Liberty Media tem incentivado este tipo de coisa cada vez mais), o fluxo de informação é extremamente controlado: pilotos são teleguiados por assessorias de imprensa e as equipes se esparramam com releases e mais releases. Junte isso com a crescente tecnologia e cada vez menos gente acompanha “in loco”. Entretanto, se formos analisar de forma mais ampla esta é uma tendência que também se expande para outros esportes.

Por conta disso, a fonte originária de informação acaba sendo cada vez mais restrita. E cabe a cada um fazer um relato diferente, trazendo novos pontos de vista. E fazer um trabalho autoral, respeitando claro as fontes. Se transcrever direto é cópia. Agora, se colocar entre aspas é citação. E, hoje, a melhor abordagem sobre Fórmula 1 no Brasil encontra-se fora da grande mídia… salvo exceções. Estão em sites como o Projeto Motor (www.projetomotor.com.br) e escondidos nos diversos grupos de automobilismo da rede.

O importante é ver o copo meio cheio e buscar fazer diferente.

Artigo escrito por Sérgio Milani e, originalmente, publicado no site 90Goals

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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