F1

Como se mede o valor de uma vitória na Fórmula 1?

28/05/2018

Como se mede o valor de uma vitória na Fórmula 1?

Como se mede a importância de uma vitória no esporte? Pela tradição? Pela dificuldade de uma determinada prova? Pelo nível de excelência dos adversários? Pelo desempenho do vencedor? Ou, então, junta-se tudo isso e avalia-se? Sim, pode ser. Mas, em termos práticos, nessa ‘Idade Mídia’ que vivemos atualmente – que reverbera com muita força o relativismo – depende do ponto de vista de cada um. As vezes, ou muitas vezes, o bom senso é trocado sem piedade pelo ‘meu senso’.

Daniel Ricciardo venceu neste domingo (27) o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1. E foi uma vitória irretocável. O piloto australiano, da equipe Red Bull, foi o mais veloz no primeiro treino livre para a corrida. Na sequência, foi o mais rápido na segunda sessão e, por consequência, fechou o primeiro dia de preparação na pista monegasca como o melhor. Então, no terceiro treino, Ricciardo voltou a ser o mais veloz. Daniel voltou à pista para a tomada de tempos e conquistou a pole-position do GP.

Na corrida, Daniel Ricciardo manteve a ponta do grid na largada e controlou os adversários com maestria e isso o levou a construir uma vitória incontestável. Mesmo com os problemas de potência (advindos de falha eletro/eletrônica no seu carro) que apareceram ao longo das voltas. Ricciardo os contornou e, de certa forma, isso deixou seu triunfo mais complicado e portanto valorizado. Sob a visão do piloto, um final de semana perfeito em Mônaco. Algo que muitos sonham, mas poucos concretizam.

“Você fez um excelente trabalho hoje”, disse Christian Horner (chefão da Red Bull) para Daniel – após o australiano cruzar a linha chegada no Principado com mais de 7s de vantagem para Sebastian Vettel, o segundo colocado. “Foi algo de nível alto e parecido com o que (Michael) Schumacher fazia”, seguiu. Ricciardo teve que enfrentar 50 voltas com o problema no carro.

“Graças à equipe, conseguimos dar a volta por cima (aqui)”, falou o piloto. “Acho que agora temos uma redenção. Podemos deixar 2016 para trás”, disse referindo-se a falha da escuderia que lhe tirou vitória certa há dois anos.

Ângulo

Mas e o ponto de vista? Quem lê parte do relato acima entende que o GP de Mônaco foi antológico. Uma prova para ficar na história. Um prova onde o nível de excelência ficou bem acima da média. É. Mas a análise da maioria dos especialistas indica algo diferente. Talvez tenha sido uma das corridas mais chatas dos últimos anos. É difícil a mensuração porque, via de regra, a pista de Mônaco nos ‘presenteia’ com provas modorrentas.

“Esta, provavelmente, foi a corrida mais chata de todos os tempos”, declarou o espanhol Fernando Alonso para jornalistas após abandonar a disputa. “Sem safety-car (carro de segurança), bandeiras amarelas. Acredito que nosso esporte precisa pensar um pouco mais nos show porque essa prova foi muito frustrante”, analisou.

Glamour

O GP de Mônaco é o mais esperado do calendário da Fórmula 1. Seja em termos de luxo, turismo, tradição e consequentemente sob o ponto de vista (olha ele ai de novo) do marketing. E o fato da corrida acontecer no mesmo fim de semana das famosas 500 Milhas de Indianapolis, nos Estados Unidos, e isso eleva em um grau – ou mais – a aura mítica da corrida europeia. E da americana também.

Ao início

Voltando ao começo da nossa conversa, como se mede a importância de uma vitória no esporte? A chatice pode ser um dos critérios? Uma prova agradável muda a avaliação? Mônaco tem tradição? Mônaco é difícil? O nível dos pilotos envolvidos na prova era bom? O vencedor teve um bom desempenho?

Rogério Elias, jornalista, fundador ao Amigos da Velocidade ao lado de Téo José, comentarista de velocidade, professor de jornalismo, palestrante e mentoring de comunicação @RogerioElias

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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