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F1: há 50 anos, o aerofólio chegava e encantava

16/05/2018

F1: há 50 anos, o aerofólio chegava e encantava

Por Sérgio Milani
Site 90 Goals

Os aerofólios, 50 anos atrás, faziam sua estreia oficial na Fórmula 1. A preocupação com a aerodinâmica na categoria não é algo recente. Desde os primórdios, os projetistas, principalmente os ingleses, eram oriundos da indústria aeronáutica. Dela, vieram técnicas de construção, a busca por leveza e menor resistência ao ar (o famoso “arrasto aerodinâmico”) para obter maior velocidade. Desta lógica, vieram carros como o Cooper e os Lotus 25 (primeiro monocoque da história) e 33.

Em meados da década de 60, a pesquisa aerodinâmica passava a ser menos empírica e estudos mais sérios eram realizados. Já se pensava de alguma forma em aproveitar o ar que passava pelo carro, mas principalmente por baixo dele. Os primeiros estudos em túneis de vento mostravam que o aproveitamento destes fluxos poderiam trazer ganhos para o desempenho…

Do outro lado do Atlântico

Quase simultaneamente, do outro lado do Atlântico, uma dupla de ex-pilotos de Fórmula 1, Hal Sharp e Jim Hall, começou a botar a mão na massa e materializar estes conceitos. E vieram com o Chaparral 2A, que tinha aletas na dianteira e utilizou pela primeira vez o conceito de aerofólio na traseira. O objetivo primordial era criar uma área na traseira do carro com uma aleta, aumentando a força do ar contra o solo e consequentemente, a aderência do trem traseiro.

Não satisfeitos, lançaram em o modelo 2C que permitia a regulagem do aerofólio traseiro através de um sistema hidráulico. Basicamente, este foi o pai do atual DRS. Em 1966, a dupla apresentou o o 2E, com aerofólio tal como conhecemos: uma única peça, em formato de asa invertida, montada sob dois suportes.

Era o mesmo princípio de uma asa de avião, mas ao contrário. No caso do avião, a asa é desenhada de forma que o ar que passa pela parte de debaixo é mais lenta do que o ar que passa pela parte de cima. Como a parte de cima a velocidade é maior e a pressão diminui, desta forma o avião tem a sustentação e consegue voar. Na escola, vimos isso como o princípio de Bernoulli.

No caso do automóvel, a inversão permite que este efeito “cole” o carro no chão e aumente a aderência. E esta é a função primordial dos aerofólios nos carros de corrida. Posteriormente, este conceito foi aplicado na década de 70 nos chamados “carros-asa” (também inspirados pelo Chaparral, mas o 2J..mas aí é papo para outra coluna).

F1 se engaja na novidade

Voltando à Fórmula 1, a esta altura, inspirados nos Chaparral, em 1967, Lotus e Brabham começaram a usar pequenas aletas na dianteira de seus carros para diminuir a tendência de elevação da frente de seus carros em alta velocidade. Tanto que em Mônaco 1968, o Lotus 49 aparecia com estes “bigodes” e um arremedo de spoiler traseiro.

Mas na campanha da Tasman Series, Jim Clark chegou a instalar um pedaço de hélice de helicóptero em seu Lotus um dos treinos para “imitar” os Chaparral. Mas com medo da reação de Colin Chapman, desistiu. E no GP da Bélgica de 1968, a Ferrari 312 é considerada o primeiro carro de Fórmula 1 com aerofólio traseiro. A Brabham também levou para esta corrida este aparato, mas só o utilizou nos treinos. Estava inaugurada oficialmente a era dos aerofólios.

A partir de então, todos começaram a usar a novidade em diversos tamanhos e alturas. Sem contar que o sistema de regulagem de inclinação também começou a ser utilizado indiscriminadamente. Mas, até o ano seguinte, quando o órgão regulador de então, a CSI, mudou os regulamentos e estabeleceu regras claras para os aerofólios.

No início da década de 80, chegou a se pensar em abrir mão dos aerofólios, tamanha era a aderência causada pelas saias e túneis em busca do “efeito solo”. Tanto que alguns carros não usaram spoilers dianteiros em algumas provas. Com a proibição definitiva vinda em 83, os aerofólios voltaram a ter importância para o desempenho e a aerodinâmica.

De lá para cá, muita coisa mudou, regulamentos e mais regulamentos foram elaborados. Os engenheiros gastam horas e horas em túneis de vento e computadores para desenvolver aletas e reentrâncias nos carros para potencializá-los. Mas a função primordial dos aerofólios continua a mesma. É aproveitar o ar para criar mais aderência para os carros, deixando-os cada vez mais rápidos e estáveis.

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Jornalista. Abril, UOL, Yahoo, Estadão, Correio Paulistano.
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